sexta-feira, 12 de agosto de 2011

O poder: pauta de uma conversa comigo mesma

Domingo à tarde. Filminho à vista! O fantasma das minhas ex-namoradas. Tudo a ver com o meu momento. Os términos, os ex, o legado das relações que não deram certo... É quando vem o ensinamento:

 “Em um relacionamento o poder é de quem se envolve menos”.

Poder!? É isso o que desejamos quando nos relacionamos amorosamente?

A consciência de que precisaria me sentir superior ao outro para me relacionar me faz sentir covarde. Significaria dizer que não estou bem comigo, que preciso fazer alguém estar a minha mercê e, quem sabe, sofrer para me sentir importante...

Não, não dá! Não combina comigo...

 É quando penso em outra fala do filme (pensei, apenas por um momento, que a partir de agora, poderia seguir esse raciocínio):

 “Decidi não me envolver mais com uma pessoa a quem eu precise mudar, fazê-la diferente!”.

Mas, penso: essa ideia também é ilusória, nos coloca numa posição privilegiada, de alguém superior, que “salva”, melhora o outro.

Sendo assim, também é alimentada pela necessidade de sentir o poder... O poder de modificar alguém, ajudar a alguém pelo que este sente por ti.

Bizarro!!!!!

Nas duas falas sentimos a centralidade do EU.

Afff, passada em Cristo!!!  Começo a fazer descobertas...

Mais reflexões e/ou conclusões?!

O AMOR deve se centrar no outro. Se você conquista para que o outro se envolva e você sinta o PODER... Se você ama/cuida para mudar o outro e se sentir IMPORTANTE...  Não! Você nunca viverá aquele amor e/ou desfrutará daquela felicidade. E sabe por quê?!

Porque, dessa maneira, você consegue olhar somente para si, para a sua necessidade de estar em destaque, de se sentir superior, de se sobrepor...

 Aquele que apresenta essa postura pode pensar EU ME AMO. E isso justifica o cuidado, a importância que garante para si?

Não! Acredito que não.

Significa que quem age assim tem problemas e, portanto, questões a resolver.

 Admito.

EU TENHO QUESTÕES A RESOLVER.

Claro que sempre podemos fechar os olhos e seguir iludindo aos outros e a nós mesmos...

Já pensou em morrer para si!? Ouvi alguém dizer que se deseja cultivar grãos no outro, fazer brotar amor, precisa morrer para si...

Sim! Abrir mão da vaidade – de ser imprescindível para o outro - e ignorar o medo de sofrer com o envolvimento...

Quando penso nos MEUS problemas, naqueles aos quais consigo enxergar, lembro dos meus amigos e amigas e da relação que estabeleço com todos.

Eu sempre estou disposta a receber aquilo que os amigos podem/querem me oferecer e é muito bom... Eu confio neles! Se eles me dizem não, eu ENTENDO. Se eles não me ouvem, se “furam”, eu RELEVO. Eu não questiono o sentimento deles por mim. Eu não me sobreponho, não preciso ser imprescindível, eu não exijo, eu ACATO, eu AMO.

Assim concluo EU NÃO QUERO O PODER, EU QUERO SIMPLESMENTE FAZER AMIGOS.






3 comentários:

  1. Lu,

    Não sabia que tinhas blog, e diga-se de passagem muito bom. Parece que todas as relações que estabelecemos com o OUTRO envolve as "relações de poder". É impressionante como somos carentes de existirmos em sua plenitude, pois somos tão distantes a ponto de não nos sentirmos como seres existentes e estabelecermos relações, nas quais nós tenhamos o êxito, poder, nos prevaleçamos diante delas, ou em outros caso precisemos do outro pra que nos mude, seja melhor do nós, nos ensine... Porém, o que pouco sabemos que um relacionamento, seja ele amoroso ou qualquer outro, é uma dialética continua, pois só assim podemos construir um relacionamento, não precisamos ser indispensáveis na vida de ninguém, como também que o OUTRO não deve ser prioridade nas nossas vidas, pois se pensarmos assim estamos coisificando as pessoas, esquecendo que elas são sujeitos e como tais sentem, pensam, amam e são livres. Um relacionamento é algo deve ser construído, não imposto ou coisificado, ele acontece do nosso contato do EU com o OUTRO... Um outro que és livres e somos livres... Por isso acredito na liberdade e não quero fazer do outro uma coisa.

    Jailma,
    Beijos.

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  2. Tão feliz por receber sua visita...

    Muito obrigada, viu!!!!

    Gosto da forma como reflete sobre as situações, os sentimentos... Aprofunda minhas reflexões e a mania de refletir vem à tona.

    É, realmente, muito importante que tenhamos a consciência da liberdade e busquemos construir relações, conquistando e solidificando laços...

    Um grande beijo!

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